segunda-feira, 23 de julho de 2012

Perdidos em Washington: Segundo e terceiro dia

Tudo bem que já voltamos de Washington faz tempo e esse post está mais do que elegantemente atrasado, mas o que importa é a intenção e, neste caso, a idéia é contar como foi o resto da viagem.
Como amanhã estamos de partida pra NY e eu ainda não arrumei as malas (e estou vendo o Raw Super Show), esse vai ser um relato bem breve MESMO. So let's go:

Segundo dia: Passamos a maior parte do tempo no Museu do Crime. É um dos poucos museus pagos em Washington, mas vale cada centavo pra quem é uma CSI wannabe como eu. Também tentamos ir no Capitólio, mas estava fechado e a gente acabou tirando foto só do lado de fora. No fim, achamos um guarda nascido em Santos por lá, que falou que a gente podia ir jantar na Union Station. A gente resolveu seguir a sugestão do guarda depois de dar um pulo no Smithsonian Museum of Natural History e num festival que estava rolando logo em frente ao museu (e ao USDA, que me traz recordações do mestrado). Depois da janta na Union Station, voltamos pro albergue e eu tive que aguentar mais uma noite de sono intermitente, por causa de uma menina que estava conversando de madrugada com esse outro cara bagunceiro do quarto. Albergues são legais, mas gostaria que meu sono fosse tão pesado quanto costumava ser antes de eu ter 3 gatos. :(

Terceiro dia: Com "sangue nos zóio" e o diabo no corpo, eu e o Caio resolvemos fazer tudo o que a gente não foi capaz de fazer nos outros dias. Fomos pro Capitol Hill e entramos no Capitólio para uma excursão. Vimos o marco-zero da cidade, a cúpula do capitólio e outras cositas mas. Depois, resolvemos ver uma sessão do Senado (estavam falando sobre o Obama-care, uma espécie se seguro-saúde público) e depois fomos na Biblioteca do Congresso. Sinceramente, se existe um paraíso nessa terra, certamente esse paraíso (para mim) é uma biblioteca com acesso restrito, tipo a do Congresso. Se eu não tivesse que comer (e consequentemente trabalhar), eu certamente me enfiaria numa biblioteca como aquela e passaria o resto da minha vida lendo todos os clássicos e raridades escondidos nas prateleiras. Mas como a vida é curta, lá fomos nós tentar cobrir o resto da cidade. Depois disso, a gente foi pro Air and Space Museum do Smithsonian. Comemos no McDonalds e fomos lá, tentar achar o Santos Dumont no meio de tantas conquistas estado-unidenses. Lembrei do meu irmão Guigo, que certamente aproveitaria muito mais o passeio do que eu ali. Vários aviões e espaçonaves que ele iria gostar. Eu sinceramente não fui capaz de apreciar o museu, ainda mais com o tanto de crianças perdidas que estavam lá, então minha próxima parada foi no National Art Gallery, que estava pra fechar. Infelizmente a única coisa que eu e o Caio vimos foi uma coleção de esculturas, principalmente do Monet (que eu já tinha visto em Paris). Daí o Museu fechou e a gente acabou indo na Portrait Art Gallery (também do Smithsonian). 

E depois foi só ir jantar e curtir o fim do nosso último dia. Next morning, Raleigh again!
Fotos no facebook. Tenho malas a arrumar.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Perdidos em Washington - Primeiro dia


Washington Monument

Enjoados com a vida pacata de Raleigh e para o deleite de amigos e familiares que ficaram no Brasil e que sempre perguntam quantas viagens a gente já fez desde que pisamos em solo estadunidense, aproveitamos que o Caio tem uns dias de férias para tirar durante nossa estadia aqui e resolvemos conhecer o centro do mundo contemporâneo (aka Washington, DC). Chegamos aqui ontem (dia 26/06) e ficaremos três dias para uma série de reuniões com chefes de estado e coletivas de imprensa, porque como todos sabem, somos pessoas muito importantes e o Obama precisa da nossa assessoria...

...Ok, na verdade o que vamos fazer é andar pra caramba e tentar conhecer o máximo de museus e monumentos possíveis e, quem sabe, comprar algumas lembrancinhas.

Ah metrô, que saudade de você!
E ontem o dia já começou sem misericórdia no quesito “andar bastante”. Saímos do aeroporto de Raleigh às 8:35 e chegamos em Baltimore umas 9:50. De lá, pegamos um ônibus até o metrô e chegamos ao albergue em que vamos ficar pelos próximos 3 dias pouco antes do meio dia. Depois disso, foi só almoçar e caminhar loucamente pela cidade. Passamos em frente à Casa Branca e ao Washington Monument e de lá fomos conhecer o Lincoln Memorial, Korean War Memorial, Martin Luther King Memorial (muito legal), Franklin D. Roosevelt Memorial (muito legal MESMO) e Jefferson Memorial. Tem memorial a dar com o pau nessa cidade!!!

Já na volta a gente descobriu que vai ter um festival perto do Smithsonian e passamos na frente de um monte de prédios do governo e alguns outros museus (Museu do Holocausto e Museu de História Americana), parando pra tomar um frozen yogurt e avaliar os danos da caminhada de verão sem protetor solar (tô quase um pimentão).

Casa Branca (ou parte dela). Não queria ter que cortar a grama desse jardim...

Quilometragem total do passeio: uns 8 km.

Balanço do dia: Pude matar a saudade do metrô, do trânsito, das pombas, das pessoas estressadas e dos edifícios com mais de 3 andares (ah cidade grande, quanta falta você me faz!). Também tô com um bronzeado bizarro, mas até o momento, nenhuma bolha surgiu no meu pé e finalmente descobri como é ficar num albergue, então acho que o dia até que foi bastante bom.

Creepy Lincoln!
Reflexão do dia: Acho que até hoje nunca vi uma obra tão antropocêntrica quanto o Lincoln Memorial. Logo pensei que estava em algum templo Greco-Romano só que, ao invés de Zeus, Atena ou Ares sobre o trono de mármore, lá estava Abraham Lincoln, olhando em direção ao capitólio e cercado de memoriais de vítimas de guerra, como se o presidente (no caso representado pelo Abe) fosse a divindade mais importante deste país, o deus da justiça que o governo deve seguir e o deus da guerra por quem o povo deve se sacrificar. Por alguma razão, achei a situação toda meio hipócrita, considerando que este país foi fundado por cristãos conservadores que acharam, num determinado momento, que só Deus poderia governar a América e que, portanto, eles não mais se submeteriam à metrópole britânica.

Korean War Memorial
Enfim,  esse momento foi meio deprimente, ainda mais depois de pensar nas guerras que os EUA lutaram e ainda lutam, mesmo sem ter uma necessidade real a não ser interesses econômicos (alguém aí lembra do Iraque). No fim, esses soldados mortos e lembrados em memoriais (e os tantos outros esquecidos em valas comuns) deram a vida por acreditar que estavam lutando pelo seu país e pela democracia e, nessa hora, eu penso que talvez eles não seriam capazes de arriscar a própria vida se soubessem que  foi tudo pra defender os interesses de uma liderança gananciosa. E mesmo que tivesse uma causa maior, em última instância não existe memorial bonito o bastante pra repor uma vida perdida, quanto mais milhares delas.



Martin Luther King Memorial: Um alívio!
Ainda bem que andando mais um pouco a gente achou o Martin Luther King e o Franklin D. Roosevelt Memorial que, apesar de também homenagearem homens, deixam à mostra algumas mensagens importantes de repúdio à guerra e de respeito e justiça para todos os seres humanos. Gostaria que fossem essas as ideias a permanecer na memória das pessoas mas, como não posso me responsabilizar por todos, são essas as ideias a lembrança que eu guardarei desse dia...

domingo, 17 de junho de 2012

Novos projetos

É nosso terceiro mês em território norte-americano e novos projetos começaram no meu trabalho por aqui. Um deles não é exatamente um novo trabalho, mas é a etapa final do trabalho da Gina, uma das alunas de mestrado do Depto. de Ciências do Solo. Temos visitado a construção de uma nova rodovia para localizar um local adequado para a fase final da pesquisa do mestrado dela que, entre outras coisas, envolve a escolha da grama certa para cada um dos solos que compõe o terreno por onde passa a rodovia (foto 1).

Foto 1: Visitas à rodovia em construção em busca da área perfeita para os próximos experimentos.
Estamos trabalhando em um outro trabalho que também envolve a construção de uma rodovia. Mas, diferente das pesquisas da Gina, neste projeto o objetivo é ver o desempenho de um tipo de polímero quando aplicado em áreas permanecerá exposto por um intervalo de tempo relativamente longo (foto 2).

Foto 2: Scott e Virginia preparam o local onde vem sendo analisado o desempenho de um polímero utilizado no combate à erosão e à poluição da água.
 Além desses trabalhos em rodovias, demos início a algumas pesquisas na base experimental do Depto. Lá construimos dois canais de acrílico para fazermos alguns experimentos. Um deles envolve a análise do desempenho de diferentes tipos de manta em relação à remoção de sedimentos em suspensão na água (foto 3). O outro será usado para desenvolver um amostrador de água que seja capaz de coletar amostras de água de chuva que representem a realidade da melhor forma possível.

Foto 3: Jamie coletando amostras para analisar a qualidade da água após o "tratamento" com uma manta.
Bom, por hora é isso. Mais detalhes e novos projetos virão nos próximos posts. Até lá!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O que fazer em Raleigh quando você não tem nada de útil pra fazer (parte 1)

Acredito que algumas pessoas saibam que uma das razões que me trouxe até Raleigh foi a minha insatisfação com a nutrição e minha vontade de mudar de carreira e seguir um caminho mais próximo daquele que eu deveria ter seguido quando saí do colegial pensando em estudar jornalismo. A idéia era chegar aqui e treinar meu inglês, perder um pouco do meu sotaque e voltar para o Brasil com sangue nos zóio em busca do CPE (que eu sempre quis prestar mas nunca tive coragem da gastar dinheiro com ele) e de uma possível carreira que envolva idiomas (traduzir o próximo livro da saga de "A Song of Ice and Fire" ou fazer legendas para "Criminal Minds" seria perfeito, mas considerando a minha atual situação, tô topando até traduzir bula de remédio). Com isso em mente, lá fui eu pesquisar o que eu poderia fazer por aqui para me ajudar com esse extreme makeover de carreira.

Ainda no Brasil, descobri que tinha duas alternativas. A primeira era fazer um daqueles cursos de imersão de um mês e que gastar todas as minhas economias. A segunda era aproveitar bem os meus recursos (e os da NCSU) e estudar por conta própria. Como eu tenho uma queda pelo "faça você mesmo" e já tinha planos para a minha poupança, lá fui eu descobrir o que eu poderia fazer aqui em Raleigh para aproveitar meu tempo e melhorar meu vocabulário (e meu sotaque). Com uma ajudinha do OIS (escritório de serviços internacionais da NCSU) e xeretando algumas oportunidades pela cidade, comecei a participar das seguintes atividades:


Cupcakes "decorados" durante uma reunião do IMOM...
IMOM: Sigla para International Moms or Mates, esse é um grupo de esposas de estudantes ou pesquisadores estrangeiros da NCSU. As reuniões acontecem todas as quartas, das 14 às 16 horas e crianças são bem-vindas. A cada 15 dias tem aula de culinária e o grupo é bem bacana, apesar da assustadora maioria de moms (eu devo ser a única participante que não tem e nem quer ter filhos ali). Esse foi o primeiro grupo que conheci na NCSU e, apesar das reuniões diminuirem durante as férias de verão (agora só vai ter um encontro em julho e depois só em agosto ou setembro), valeu a pena participar e perceber que eu não sou a única estrangeira com sotaque por aqui...

ECC: Esse foi o grupo que mais me interessou quando vi as opções oferecidas pelo OIS e a sigla significa English Conversation Club. Como uma das minhas metas é falar o máximo de inglês possível, nada melhor do que participar de um grupo de conversação entre estudantes estrangeiros e voluntários nativos. As reuniões são todas as terças e quintas (na parte mais distante do campus) e também às sextas num prédio aqui perto. Semana passada eu arrastei o Caio para uma das reuniões e acho que ele gostou de saber que tem gente com mais dificuldade do que ele na hora de perder a timidez e falar inglês. Outra coisa boa desse grupo é que os voluntários nativos sempre tem alguma dica legal de coisas para fazer na cidade e sempre podem dar umas dicas para ajudar na adaptação dos visitantes.

Cameron Village Public Library, onde tem vários bookclubs
Evening Book Club: Isso não tem nada a ver com a universidade, mas é bem perto de onde estamos morando e é outra atividade que sempre quis participar e, no Brasil, eu nem tinha idéia se era possível. Esse clube do livro se reune toda segunda terça-feira do mês, as 18:30, na Cameron Village Regional Library e discute livros de todo tipo, a maioria deles de ficção. A biblioteca tem outros clubes do livro, inclusive um da Jane Austen que eu também pensei em participar mas acabei desistindo, já que li quase todos os livros dela e estou precisando de coisas novas.

Fora esses grupos, também têm outras coisas que descobrimos por aqui e que serão assuntos para posts futuros. Sim, novos posts virão. Não, não sei se eles vão demorar tanto quanto esse demorou...

segunda-feira, 21 de maio de 2012

WWE em Raleigh: Uma noite de luta-livre

Quem me conheceu já "velha" certamente não sabe disso mas, quando eu tinha uns 11 ou 12 anos de idade, meu passatempo favorito era assistir aquele combo de desenhos japoneses na extinta Rede Manchete, seguidos por luta-livre. Não lembro quando começou essa tradição vespertina, mas lembro que foi meu pai que me viciou, tanto em Cavaleiros do Zodíaco quando em Super-Catch. No começo eu ficava bastante preocupada, porque parecia impossível alguém sobreviver a tantas voadoras, socos e pontapés, mas já que meu pai disse que era tudo de mentira (e ninguém parecia se machucar muito no fim das contas), eu desisti da misericórdia e resolvi aproveitar aqueles breves momentos de violência fake e grandalhões usando collant.

Daí a Manchete faliu, super-catch sumiu e ficou cada vez mais difícil de ver luta-livre. Depois eu descobri que, as vezes, o canal FX passava algumas lutas da WWE (World Wrestling Entertainment), mas nunca consegui descobrir o dia e o horário para poder acompanhar e, por um bom tempo, me perguntei se ainda existia luta-livre e se alguém ainda assistia.

Eu e Caio em algum lugar da arquibancada da PNC Arena
Qual foi a minha surpresa ao descobrir que aqui nos EUA até que é bem fácil achar luta-livre na TV e, não só isso, mas o negócio todo é um mega-show, com vários eventos especiais disponíveis em pay per view e com uma porção de fãs espalhados pelo país. Mas a melhor parte mesmo foi descobrir que um desses eventos especiais seria aqui em Raleigh e que ainda estavam vendendo ingressos! O Caio (empolgado depois de ver um dos lutadores ajudando a Make a Wish Foundation) decidiu comprar os ingressos naquele dia mesmo e, neste domingo (20/05), lá fomos nós para uma noite de muita luzes, latex e pancadaria no WWE Over The Limit.

Não dá pra descrever fielmente o que acontece ao vivo num evento de luta-livre. Eu tentei tirar fotos para ilustrar a situação, mas sou uma péssima fotógrafa e preferi assistir ao show sem me perder em ângulos e zoom. E que show que foi! Nem algumas das maiores bandas de rock conseguem criar palcos tão iluminados ou fazer entradas tão triunfais ou ainda usar tantos efeitos pirotécnicos quanto o pessoal da WWE (superstars e divas). Sério mesmo, U2 got nothing on those guys no que diz respeito a fazer um mega-show. O público sabia todas as frases de efeito dos lutadores e era impossível não gritar uma delas ao ver aqueles caras gigantes voando pra fora do ringue ou se arremessando em direção ao oponente em manobras aéreas que quase desafiam as leis da física.


Duas coisas logo me chamaram a atenção quando as lutas começaram. A primeira é que, apesar do consenso de que os caras lutam de mentirinha (e de fato os pontapés, socos e cadeiradas não pareciam ser "pra valer") o barulho do ringue denunciava que os tombos que os lutadores levavam eram bem reais e, no fim de uma sessão de voadoras, quedas e arremessos, os caras devem sair bem doloridos dali SIM. A outra coisa é que, pela velocidade, elasticidade e força que esses caras tem, fake ou não, esse é um esporte bastante intenso e DEFINITIVAMENTE não é pra qualquer um que se dispõe a ensaiar uma briga de rua (ver um cara mega-musculoso abrir espacate pra fugir da voadora de outro brutamontes tá longe de ser coisa fácil, na minha humilde opinião).

Agora vocês devem estar perguntando "tá, mas o que teve de luta que foi tão legal assim?" e eu só posso dizer que é mais fácil entrar no youtube ou no site do evento e ver alguns vídeos, que vai ser mais divertido do que ler minha descrição. Todas as lutas foram boas, menos a última, que era justo a que eu mais queria ver, entre o John Cena (o cara com os maiores braços EVER) e o "Gerente Geral" John Laurenitis (o cara mais escroto da WWE). 

John Cena (pontinho verde) e John Laurenitis (pontinho vermelho) no começo do que ERA pra ser a melhor luta da noite...
Era pra ser a típica luta-novela-mexicana entre o Superstar Bonzinho e o Gerente Malvado. Era só o John Cena fazer a alegria da galera e ganhar a luta que o Laurenitis seria oficialmente demitido da WWE, trazendo paz e alegria aos lutadores de boa vontade. Depois de algumas cadeiradas, chaves de braço, lixeiradas e extintorzadas tudo parecia correr bem para o John Cena e 99% do público presente (inclusive  eu). Foi aí que o Laurenitis fugiu e o Big Show apareceu carregando o dito cujo pelo pescoço, com a maior cara de quem queria vingança (afinal o Laurenitis foi responsável por humilhá-lo e demití-lo no último Raw). No entanto, o sonho de ver John Cena e Big Show sacaneando o Laurenitis em conjunto durou pouco e, no lugar de ajudar a socar o Laurenitis, o Big Show deu um direto na cara do John Cena e entregou a vitória pro gerente do mal. E foi assim que eu e 99% dos espectadores saímos do Over the Limit com a maior sensação de incredulidade que é possível ter depois de tantas emoções...

John Cena (sem camisa), Laurenitis (derrubado) e Big Show (de camisa creme e calça preta), segundos antes da maior "pura falta de sacanagem" do WWE Over the Limit...

É claro que o John Cena não ia ganhar e é claro que o Big Show agora será o vira-casaca da WWE. E é claro que isso deve ter sido muito bem ensaiado antes do evento e eu deveria saber de tudo isso porque é isso que eles sempre fazem. Mas o fato é que ali, no meio das luzes, ouvindo dos gritos de fãs e os pulos do ringue, a gente fica com vontade de acreditar que o cara bonzinho vai ganhar sempre. Lá, ao vivo, a gente volta a ter a esperança de que nossos heróis são imbatíveis mesmo quando apanham e é muito bom pensar nisso, porque lá, naquele momento, eu era de novo aquela pirralha vendo TV Manchete no final da tarde e isso foi o melhor da noite!

domingo, 20 de maio de 2012

Parties, meals & pic-nics

Desde nossa chegada em Raleigh, todos têm sido muito receptívos e acolhedores. Logo no meu 1º dia no Depto. de Ciências do Solo, houve uma mobilização enorme para nos ajudar a encontrar nossa futura casa e também itens básicos como talheres, pratos e copos. À medida que as coisas foram se ajustando (e isso ocorreu com uma rapidez que nos impressionou bastante), fomos gentilmente convidados para alguns jantares, pic-nics e festas.
Foto 1: Stephanie concentrada na tarefa de tirar uma das peçinhas sem derrubar a estrutura.

Um desses primeiros eventos, foi a festa de aniversário do Scott. A festa teve como tema os anos 80 e, por isso, o Scott e a sua esposa Stephanie estavam vestidos a caráter: terno com ombreira, cores vibrantes e muitos acessórios de plástico. Além disso, o Scott e a Stephanie levaram para a festa alguns brinquedos e brincadeiras que marcaram a infância deles, como o jogo de equilíbrio com peçinhas de madeira (foto 1) e também a pinhata, uma popular brincadeira em que o objetivo é destruir o alvo suspenso no ar e recheado de doces por dentro, mas só depois que a pessoa que for tentar liberar os doces estiver vendada e um pouco zonza por dar algumas voltas em torno de si mesmo (foto 2).
Foto 2: Ju se prepara para a pinhata enquanto Scott segura o alvo cheio de doces.
Depois dessa festa, foi a vez da Gina convidar a Ju, eu e a Virginia para um jantar na sua casa. Foi um ótimo momento para, além de experimentarmos um delicioso churrasco de frutos-do-mar, conhecermos o Robert, marido da Gina, e o Rufos, o cão de estimação deles. Para preparar o jantar, a Gina e o Robert (foto 3) compraram camarão e tilapia em um mercado asiático em Raleigh, onde dá para encontrar alguns tipos de frutos-do-mar ainda vivos. O Robert preparou um churrasco de espetinhos de camarão, tilapia e legumes que, ao final da janta, não havia nenhuma sobrinha para contar história!
Foto 3: Gina e Robert preparam o jantar que teve frutos-do-mar como prato principal.
Alguns dias depois, o Scott e a Stephanie nos convidaram para jantarmos na casa deles. Para a janta, o Scott preparou uma deliciosa carne de porco, um dos pratos típicos da Carolina do Norte. O porco foi preparado em uma panela que cozinhou a carne bem lentamente, por aproximadamente oito horas. Além disso, o Scott nos serviu uma cerveja feita em casa e que, de tão deliciosa, eu jamais imaginaria que tivesse sido preparada por ele mesmo.
Depois desses dois jantares, foi a vez do "hot-dog day" no Laboratório. Nesse dia, os próprios colegas do laboratório se juntam para preparar o almoço e arrecadar fundos para a festa de fim de ano do Depto.
Assim, no pátio que fica atrás do prédio da faculdade de Agronomia montamos duas mesas e também a churrasqueira portátil usada pelo prof. Rich para preparar as salsichas (foto 4). Além do hot-dog, nosso almoço também teve batata chips, refrigerante e donuts de sobremesa. Bem americano, né?
Foto 4: Prof. Rich caprichando nas salsichas do hot-dog day.
Para terminar, fomos por último a um pic-nic que a Virginia preparou na casa dela para o pessoal da pós-graduação em Ciências do Solo. Além de arroz, feijão, carne e batata assada, a Gina levou uma deliciosa salada preparada pelo Robert e a Erica trouxe suculentos morangos cobertos com casca de chocolate. O pic-nic foi feito no quintal atrás da casa da Virginia, onde tivemos uma ótima tarde e também pudemos conhecer outros estudantes da pós ligados a outros laboratórios.
Como não podia deixar de ser, a Ju aproveitou os momentos finais do nosso pic-nic para brincar um pouquinho com a gatinha que mora com a Virginia. Toda preta com um chumaço branco bem pequeno no peito (foto 5), essa gatinha nos deu mais saudades ainda dos nossos três filhotes que, segundo os relatos dos vovós Cláudia e Miguel, têm aprontando um montão e também andam cheios de chamego com o avós.
Foto 5: A gatinha na casa da Virginia apertou as saudades dos nossos felinos.
Por hora, é isso. Deliciosas refeições (às vezes um pouco diferentes do que estamos acostumados) com ótimas companhias, momentos muito bons e divertidos durante nossa imersão em Raleigh!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

13 de maio: mães, Fátima e escravidão

Eis que passamos mais uma data importante em Raleigh. Depois da páscoa, foi a vez do 13 de maio que, em único dia, reuniu três datas importantes para nós brasileiros: dia das mães (também celebrado nos EUA), dia de Nossa Senhora de Fátima e dia da abolição da escravatura no Brasil.
Quanto ao dia das mães, não teve jeito: o telefone foi a única forma de diminuir ao menos um pouquinho a distância das nossas mamães queridas. Por outro lado, as saudades que a mamãe Ju (foto 1) sente dos nossos três felinos apertou ainda mais, ainda mais quando minha mãe nos contou por telefone sobre as últimas que eles, especialmente o caçula, andam aprontando.
Foto 1: Apesar de curtir um chamego com um dos gatos do Scott, a mamãe Ju sentiu a saudade dos nossos três felinos apertar neste dia das mães.
Mesmo com os corações apertados, aproveitamos o domingo para ir à missa. Aqui tem igreja cristã para todos os gostos. A Ju escolheu ir à missa na simpática e engajada igreja que visitamos na semana passada, a episcopal Church of Good Shepherd.
Foto 2: Ju na Church of Good Shepherd - boas vindas sem exceções.

A missa na igreja episcopal de Raleigh é, de certa forma, bastante parecida com o que costumamos ver na igreja católica. No entanto, uma das maiores diferenças em relação à igreja de Roma reside, por exemplo, na sua postura em relação à orientação sexual dos fiéis. Em Raleigh, a igreja episcopal dá boas vindas a todas e todos (foto 2), independente da orientação sexual de cada um, coisa que na igreja católica é ainda hoje tema de muita polêmica.
Apesar de ser a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo e discordar de postura da igreja católica em relação a esse e diversos outros assuntos, escolhi a Sacred Heart Cathedral para a missa deste domingo (foto 3).
Foto 3: Em um dos vitrais da Sacred Heart Cathedral, Jesus aprende o ofício de carpinteiro observado pelos pais.
Ainda que estivesse cheia (eu e vários fiéis assistimos a missa em pé), a catedral de Raleigh é relativamente pequena (a igreja episcopal, em comparação, tem espaço para acolher quase o triplo de pessoas durante uma missa), o que reflete a pouca expressão que o catolicismo tem nos EUA. Existem muitos católicos de famílias que estão na Carolina do Norte há diversas gerações, mas a impressão é de que há uma porção expressiva de fiéis imigrantes, principalmente mexicanos. De fato, a influência mexicana é bastante forte e, além de algumas missas serem celebradas em espanhol, há também uma imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da Cidade do México. Apesar de ser dia de Nossa Senhora de Fátima, não houve nenhuma menção à Virgem Maria que foi vista em 13 de maio de 1917 por três crianças em Portugal - reflexo da pouca influência que Portugal tem na cultura norte-americana.
Terminadas as missas, nos dirigimos para o North Carolina Museum of History (foto 4), onde entramos em contato com um pouco da história da Carolina do Norte e também dos EUA.
Foto 4: Ju imersa no túnel do tempo do North Carolina Museum of History.
Sendo dia da abolição da escravatura no Brasil, foi interessante ver um pouco da história da escravidão daqui. Como no Brasil, a chegada dos negros nos EUA foi motivada essencialmente pelo trabalho escravo. Mesmo após a abolição, os afro-americanos continuaram a sofrer abusos e segregação de diversos tipos, parecido com o que ocorreu no Brasil. Isso me fez pensar que, independente do lugar, a escravidão foi algo estupidamente violento em todos os aspectos possíveis - físico, emocional, social, econômico, cultural e por aí vai. É bom pensar que, embora as consequências negativas de todo esse processo ainda estão longe de serem apagadas, os EUA elegeram seu primeiro presidente negro. Me parece um passo absurdamente gigante em um continente que ainda tem (temos) muito o que avançar em relação a esse tema.
E por falar nisso, o clima para as eleições nos EUA está cada vez mais quente por aqui. E pelo visto o bicho vai pegar! Mas isso fica para um próximo post! Fui!!!

domingo, 6 de maio de 2012

Who run the world? GIRLS!

Neste 1º mês em Raleigh uma coisa bastante interessante me chamou a atenção. Notei que nos trabalhos de campo do Lab. onde estou trabalhando as mulheres mandam ver!
Foto 1: Gina dirigindo o trator em seu tempo livre.
Pá, enxada, trator e muita poeira: para essas meninas não há problema que seja demais para para-las! Tenho que confessar que ando me empenhando muito para não ficar para trás comendo poeira. A Ju é testemunha de como eu chego quebrado dos campos e de como eu fico com boa parte dos músculos doídos no dia seguinte...
Esses dias, enquanto ainda dávamos uma última mãozinha na preparação dos ensaios da Virginia, nossa amiga Gina (também aluna de mestrado e nascida na Sérvia) aproveitou um pouco da pausa que tivemos para o almoço e dirigiu um pouquinho o trator da universidade (foto 1). "Vou descansar um pouquinho... Deixa eu pensar o que vou fazer... Hummmm... Já sei! Vou dirigir aquele trator ali pra relaxar um pouco"! Coisinha básica...
Foto 2: Virginia jateando sementes de grama.
Bom, mas o almoço daqui é curto. É o tempo de mastigar um sanduíche, mandar meia maçã pra dentro e pronto. Já é hora de voltarmos às atividades. No mesmo dia em que a Gina pilotou o trator, a Virginia fez com as próprias mãos o jateamento de sementes de grama sobre sua área de estudo (foto 2). Conhecida como hidrossemeadura, essa é uma das técnicas utilizadas para realizar o plantio de grama em áreas onde o solo encontra-se exposto e suscetível ao poder erosivo das chuvas torrenciais. Como estava tudo pronto e havia chuva prevista para os dias que estavam por vir, a Virginia fez questão de aplicar um pouco de semente e deixar a área dos experimentos dela bem protegida. Eu fiquei nos bastidores, ajudando a carregar a mangueira enquanto a Virginia andava de um lado para outro para deixar toda a área bem protegida. E posso garantir para vocês: a mangueira está bem longe de ser leve!
Foto 3: Jamie em mais um trabalho do Laboratório.
Acha que acabou? Que nada! Segura porque vem mais trabalho por aí! Na última semana de abril começamos a ajudar na área de estudo da Gina. Além da própria Gina, estiveram na empreitada a Jamie (foto 3), a Kim e eu. A Gina está tentando descobrir qual é o tipo de grama que melhor se ajusta aos solos de uma rodovia que está em construção aqui nas redondezas de Raleigh (NC). Para isso, a Gina plantou diferentes tipos de grama em algumas áreas da construção e tem monitorado o desenvolvimento de cada uma delas. Os resultados do trabalho vão ajudar a determinar o melhor tipo de grama para cada tipo de solo da rodovia em construção e, consequentemente, os construtores pouparão recursos com replantio e, ao mesmo tempo, as taxas de erosão das áreas em obra será muito menores. Vale ou não vale a pena?
Foto 4: Jamie e Kim depois de uma manhã de muito trabalho duro.
Depois de tanto trabalho, houve um momento em que finalmente vi uma ligeira pausa das meninas. Foi em um dia em que nem todos haviam levado almoço para o trabalho (ou seja, aquele sanduba com pasta de amendoim e uma fruta com uma barrinha de cereal). Havíamos acabado os trabalhos de campo da manhã e fomos em busca de algo para comer. Descolamos um almoço em um restaurante italiano e depois, enquanto nos refrescávamos com um pouco de soverte, aproveitamos para dar uma espiada em algumas lojas da região (foto 4). Mesmo parcialmente cobertos com poeira e um pouco de lama, foi um momento ótimo para recuperarmos o fôlego para as atividades da tarde.
Por essas e outras que, durante essa estadia em Raleigh, tem me vindo constantemente à cabeça uma música da Beyoncé em que ela pergunta "Who run the world?", o que em português equivaleria a "Quem manda no mundo?" (veja: http://www.youtube.com/watch?v=VBmMU_iwe6U). Eu respondo, agora com mais certeza ainda: GIRLS!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Preconceito nos EUA

Como paulistana de classe média, heterossexual e quase "caucasiana" eu acho que não tenho muita moral de falar sobre preconceito, considerando que nunca me senti pessoalmente discriminada a ponto de querer iniciar um movimento de conscientização ou algo do tipo. O que eu sei que posso (e devo) fazer é tratar as pessoas com o respeito que eu gostaria de ser tratada, independente de cor, credo, visão política ou orientação sexual. Nem sempre é uma tarefa fácil (até porque esse mundo tá cheio de gente idiota), mas a longo prazo é muito melhor pra própria consciência saber que você não é uma pessoa estúpida e limitada pelo próprio preconceito.

Dito isso, logo que cheguei aqui na Carolina do Norte eu notei uma coisa muito estranha. Parece que aqui as pessoas não se misturam. Não sei se isso acontece no país inteiro ou se é meio regional, remanescente da guerra da secessão, mas é muito raro ver negros, brancos e latinos andando juntos e jogando conversa fora num bar (e isso é particularmente verdadeiro se você está longe da região do campus). Pior que isso, parece que existe uma certa raiva oculta, uma tensão entre classes e etnias que faria a guerra-fria parecer um jogo de poker entre amigos. Ah, as pessoas aqui são educadas e se tratam com respeito em situações cotidianas, mas eu sinceramente tenho medo de ver o que acontece quando esses grupos entram em conflito e fico imaginando quantos desses sulistas tão simpáticos que vemos por aqui seria capaz de deixar de lado a "mentalidade de grupo" na hora de lidar com conflitos pessoais.

Não que eu seja ingênua a ponto de achar que não existe preconceito no Brasil, mas aqui nos EUA a coisa toda extrapolou minha capacidade de processamento. No Brasil eu tenho a sensação que em geral as pessoas não levam o preconceito à sério (para o bem e para o mal) enquanto aqui parece que a maioria das pessoas leva isso tão a sério que é como se a única saída para a igualdade fosse criar um estado separado para cada minoria. Nesse ponto, eu acho que o tal "jeito brasileiro" e a nossa mistureba cultural é melhor do que essa organização bizarra que tenho visto por aqui, com grupos separados por cor, classe, credo, visão política e tipo de organização familiar.

Placas como essa estão espalhadas por várias casas da vizinhança.
Antes eu estava falando sobre etnia, mas a questão não se restringe a isso. Uma coisa que reparamos pouco depois de chegar é que está rolando uma polêmica sobre uma tal de "amendment one" que está pra ser votada. Aqui perto da universidade tem um monte de gente que parece ser contra isso e, no começo, eu achava que tinha a ver com aumento de impostos ou algo assim. Bom, não tem nada a ver com impostos. A tal Amendment One, se aprovada, vai fazer com que arranjos familiares que não envolvam apenas o casamento entre homem e mulher não sejam reconhecidos pela constituição da Carolina do Norte. Minha primeira reação quando soube do que isso se tratava foi pensar "que tipo de australopiteco propôs uma coisa dessas em pleno século XXI? Ninguém vai votar a favor dessa idiotice!". Mas depois de ver algumas manifestações APOIANDO a emenda constitucional, só o que eu consigo pensar é "AINDA BEM que tem gente votando contra, só espero que eles sejam maioria!"

Daí vem aquele papo de que, numa democracia, até quem tem esse tipo de opinião medieval tem o direito de expressá-la. Ok, eu entendo isso. As pessoas tem todo o direito de exercer a própria idiotice numa democracia. O que me perturba é ver o Estado aprovando esse tipo de comportamento retrógrado na constituição de um lugar que ainda tem tantos preconceitos pra vencer. Quer dizer, da mesma forma que um pai que não educa seus filhos fatalmente terá filhos delinquentes, um governo que admite um retrocesso desses em nome de certos eleitores não pode esperar muito desenvolvimento.

A verdade é que eu não sei o que é certo ou errado, eu não se a minha percepção do preconceito daqui (e do Brasil) tá completamente equivocada, eu não sei como vai ser a tal votação da emenda constitucional e sei menos ainda sobre como deve ser governar alguma coisa em algum lugar. Só o que sei é que sinto falta dos meus amigos de todas as cores, formas, lugares, jeitos e opiniões e gostaria muito que o pessoal por aqui tivesse a mesma oportunidade de se "misturar" e conhecer gente bacana que eu tive. Diversidade é uma maravilha e é uma pena quando as pessoas não se aproveitam dela... :(

sábado, 28 de abril de 2012

Trabalhos iniciados com força total.

As primeiras semanas de trabalho em Raleigh começaram com força total. Desde o início da abril, já foram dois workshops e uma porção de trabalhos de campo.

Foto 1: Workshop em Asheville.
O 1º workshop (foto 1) foi em uma cidade chamada Asheville, localizada na porção montanhosa da Carolina do Norte. Foram três dias dedicados ao processo de certificação de profissionais que trabalham com obras do DOT, o depto. estadual de transportes daqui (http://www.ncdot.gov/). Nesta breve estadia em Asheville também dedicamos um dia para ajudar a Virginia (foto 2), uma das alunas de mestrado do Depto. de Ciências do Solo, com os seus ensaios de campo.
Foto 2: Virginia pronta para o trabalho.

Em seu mestrado, a Virginia está analisando o desenvolvimento de um certo tipo de grama (fescue) quando aplicado em solos compactados e com diferentes concentrações de nutrientes. Os resultados da sua pesquisa ajudarão a determinar as condições mais favoráveis para o plantio e o desenvolvimento desse tipo de grama em áreas de construção (é, por exemplo, o que se observa nos taludes e no canteiro central das rodovias em construção).

De volta à Raleigh, nos organizamos para ajudar nos ensaios do Scott (foto 3), um dos pesquisadores da equipe. Graduado em Ecologia e mestre em Ciências do Solo, Scott envolvido em pesquisas voltadas para reduzir a carga de sedimentos que são carreados pela água das chuvas de áreas em construção para os rios e reservatórios da região.
Foto 3: Scott preparando seu experimento.
Para isso, o Scott tem estudado os efeitos de um polímero (poliacrilamida ou simplesmente PAM) sobre a qualidade da água. Em estudos anteriores realizados por colegas do Depto. mostraram que, sob certas condições, o PAM ajuda a melhorar a qualidade da água de forma bastante significativa. Assim, o objetivo do Scott agora é justamente determinar quais são as condições que maximizam os efeitos positivos do PAM. Os resultados parciais dos seus ensaios já deram algumas pistas valiosas, mas logo logo os trabalhos serão concluídos e o Scott terá melhores condições para fechar mais esse quebra-cabeça.

O 2º workshop ocorreu um dia após ajudarmos o Scott com os seus experimentos. Melanie (foto 4), mestre em Ciências do Solo e pesquisadora do Depto., conduziu as atividades.
Foto 4: Melanie mostra os efeitos do PAM na água.
 No início, Melanie nos apresentou as principais técnicas utilizadas na Carolina do Norte para controlar erosões e diminuir a quantidade de sedimentos que podem assorear de maneira expressiva córregos, rios e reservatórios.
Em seguida, fomos para o campo colocar em prática alguns dos conceitos apresentados em sala de aula. Assim, trocamos canetas e apostilas por pás, martelos, mantas de fibra de coco e grampos metálicos. E claro que ao final do workshop estávamos todos cobertos por poeira e com os sapatos cheios de terra.

De fato, os pesquisadores daqui valorizam bastante o lado prático das coisas e, justamente por isso, nossas idas a campo por aqui têm sido quase que diárias.
Foto 5: Virginia durante o laboratório para a graduação.
Estão lembrados da Virginia, aluna de mestrado que ajudamos em Asheville? Olha ela aí de novo, desta vez dando aula de laboratório para os alunos de graduação da North Carolina State University (foto 5). Nesta aula, ajudamos a Virginia na preparação dos equipamentos que foram usados para mostrar aos alunos a importância de manter a superfície do solo protegida contra os efeitos negativos da erosão. Nesta aula os alunos também colocaram a mão na massa: protegeram a superfície do solo com diferentes tipos de material, preparam misturas de fertilizantes em diferentes proporções e também fizeram o plantio de grama (fescue) em uma área piloto.

Enfim, pode-se dizer que tem sido um começo e tanto. Nos próximos dias ajudaremos a Gina, nossa colega da Sérvia e aluna de mestrado de Ciências do Solo. As detalhes desse trabalho ficam para o próximo post, mas já posso adiantar que os trabalhos serão - é claro - novamente no campo. Bom, é isso aí. Grande abraço para todos e até a próxima.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Chegada em Raleigh, parte 2: Os outros dias...

Bom, depois do primeiro dia frenético em Raleigh, as coisas foram entrando nos eixos. Não que a rotina esteja muito menos frenética, mas pelo menos a coisa sossegou o bastante para ser resumida nesse post (ou eu é que estou com preguiça o bastante para não escrever outro hehehehe).

Açaí americano
Depois que a gente conseguiu se livrar do motel from hell, decidimos ficar aqui no atual hotel durante o mês inteiro just in case (até porque ia acabar compensando pagar o mês todo ao invés de passar mais de uma semana). Com isso, a gente teve tempo de se organizar, aprendemos a andar nos arredores da universidade e, logo no segundo dia, o Caio já foi numa reunião com a equipe que ele vai trabalhar. Como ele tava "com medinho" de ir sozinho, eu fui e fiquei lá esperando. Mal ele sai da reunião, a gente já foi logo procurar lugar pra morar com a ajuda de uma aluna maior legal vinda da Sérvia chamada Gina! Vimos uns 3 ou 4 apartamentos perto da universidade e pensamos ter encontrado nossa futura casa. Voltamos, almoçamos um lanche e, na volta para o hotel, eu achei algo que eu jamais imaginaria encontrar aqui: Açaí! Depois disso, descobrimos que tinha um shopping aqui perto e resolvemos ir lá, comprar suprimentos e jantar.

Farmácia minúscula
Chegando no shopping, achei tudo muito esquisito. Não é um prédio com lojas como no Brasil, mas um monte de quarteirões com lojas e restaurantes mas tudo térreo. A farmácia que tinha lá era gigantesca em comparação ao resto e parecia mais um supermercado. E lá fomos nós, depois de descolar uns chips de celular, ver qual a razão da farmácia ser tão grande. E a razão é que a farmácia era quase um supermercado mesmo! Só faltaram as verduras (mas isso falta quase em toda parte por aqui). Aproveitei que estava lá pra comprar alguma coisa para a suposta úlcera que eu estava cultivando desde a nossa chegada (não sei se foi da comida ou do stress, mas fiquei com uma dor de estômago brutal nos primeiros dias) e, em virtude da suposta úlcera, fomos procurar um lugar menos "gorduroso" para jantar. Por causa do horário, fomos parar num restaurante mexicano mesmo, mas olha, só ter ter arroz e feijão no cardápio a gente já ficou tão feliz que o dia nem pareceu tão corrido no final das contas.

E depois do segundo dia, a gente começou a ter uma rotina mais normal. Na quinta a gente mudou pra um quarto com geladeira e microondas e eu improvisei um arroz de microondas com feijão enlatado (Pinto Beans, mais precisamente). Caio começou a arrumar a sala dele no laboratório e descobriu que era feriado na sexta-feira santa por aqui também e aí a gente meio que comeu e dormiu durante o feriado todo (com pausas ocasionais para reconhecer o território/explorar a cidade). E finalmente essa semana, Caio foi para um workshop nas montanhas nessa terça-feira e só volta na sexta. Por isso, estou aqui atualizando o blog e fazendo todas as coisas que eu não faria se ele estivesse aqui (o que na verdade significa que estou conseguindo arrumar nossa bagunça).

Como agora tenho um computador para chamar de meu (o bonitinho chegou ontem), espero que as próximas atualizações não demorem tanto ou que, pelo menos, os causos não se acumulem!

Beijos pra quem fica e até a próxima!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Chegada em Raleigh, parte 1

Graças a Deus, hoje é sexta-feira santa (ou good friday, como dizem por aqui) e, depois de uns 4 dias bastante movimentados, finalmente estamos livres pra descansar um pouco e tentar comer comida de gente. Mas como descanso é para os fracos, aqui estou eu, escrevendo logo cedo para contar as aventuras que vivemos desde que chegamos aqui em Raleigh. Pra não me confundir ou esquecer dos detalhes, vou tentar seguir a ordem cronológica dos fatos. Por isso, acho que vou dividir esse post em vários outros, pra não ficar muito grande.

Dia 1:
"Kil" e seu cappuccino
Depois de quase 24 horas entre aeroportos e aviões, chegamos em Raleigh, mas não sem antes o Caio soletrar o nome dele como "Kil" no Starbucks do aeroporto de Charlotte e quase me matar de vergonha (a moça até perguntou se o nome dele pronunciava Kill mesmo). Não satisfeito, no mesmo aeroporto ele fez questão de pentelhar a garçonete do restaurante que a gente parou pra almoçar, só pra saber como ela pronunciaria o nome dele e, quando estávamos de saída, ele ainda quis saber dela se era necessário pagar gorjeta... Gafes à parte, chegando em Raleigh e resgatando nossas malas que estavam na salinha da companhia aérea, lá fomos nós pro nosso motel de beira de estrada.

Agora, sei que em geral as pessoas me acham meio exagerada e podem não acreditar em mim, mas tenho convicção de que algo muito bizarro aconteceu naquele quarto de motel, porque tinha manchas suspeitas nas paredes, na colcha e uma MUITO suspeita na cortina do banheiro (que acho que era sangue). Isso fora os fios de cabelo estranhos, os insetos e o fruit loop que achei atrás da cama. Até aí tudo bem, afinal sou brasileira e não desisto nunca, mas quando saímos para fazer aquele passeio de reconhecimento e tentar chegar na universidade eu percebi que não ia rolar dormir naquele quarto: Tinha um strip-club do lado do motel e um cara que encontramos no ponto de ônibus disse que não só estávamos longe da universidade, mas também que aquela vizinhança não era uma vizinhança que ele gostaria de estar durante a noite (if you know what I mean).

Não se aproxime muito dessa cortina...
Resultado: Pegamos o busão, chegamos no campus e descolamos um hotel barato porém digno nos arredores da universidade. Pedimos um táxi para buscar nossas malas no motel suspeito e fugimos de lá como diabo foge da cruz. Jantamos uma pizza gigante (e com um tempero bizarro) e fomos dormir exaustos, mas sem pegar chato e com a certeza de que nenhuma stripper seria brutalmente assassinada no quarto ao lado... (to be continued)

domingo, 1 de abril de 2012

Humanos só saem com o nosso consentimento!


Há apenas um dia da decolagem para os EUA, uma curiosa surpresa nos aconteceu. Nossos gatos, Indy, Sinatra e De Niro, estão em estado de alerta. Eles vigiam nossas malas, com direito a turno com rodízio e tudo mais.

É impressionante como esses pequenos mamíferos captaram que há alguma coisa no ar e que muito em breve algo mudará na rotina da nossa casinha. Os miados por carinhos estão mais frequentes, os cafunés na cama são mais exigentes. Enfim, eles sacaram que a mamãe e o papai estão com algum plano e isso não necessariamente será bom para eles.

O bom da história é que a nossa querida veterinária Drª. Angélica nos acalmou: "o melhor a fazer é exatamente o que vocês planejaram - deixar os gatinhos em casa mesmo, sob os cuidados de alguém de confiança, já que 6 meses é um período muito curto para submetê-los a tantos desconforto (principalmente às dezenas de horas de voo e também à adaptação à nova casa).

Foi um dos melhores presentes que recebemos, o atestado de nossa veterinária de confiança de que nossos filhotes felinos ficarão bem nesses próximos meses. Ufa! Melhor assim, o coração fica um pouquinho menos apertado. Além disso, parece que eles aprovaram o novo cuidador titular deles: ninguém mais, ninguém menos que o... ... ... Super vovô Miguel!! Eba! Ele faz carinho e brinca com a gente! Além disso, gosta de pôr bastante comida nos potinhos!! Yes! Chega de regime!! Urrulllllll!!! Faremos a maior farra enquanto o papai e a mamãe estiverem fora!! Vai ter balada e muita bagunça todo dia! Yeah!!!

Fiquem bem, felinos! Cuidem-se e não aprontem muito, ok?
Papai e mamãe voltam logo! Bom, agora já podemos pegar as malas, queridos?!

sábado, 31 de março de 2012

De certa forma já parti


Já ouvi algumas pessoas dizerem que não gostam dos livros do Amyr Klink. Outros simplesmente amam. Quem me conhece há algum tempo sabe que já fiz parte do segundo grupo de leitores. Ainda hoje gosto bastante das experiências que ele compartilhou em seus livros, mas atualmente minha admiração pelo Amyr é, pode-se dizer, muito mais sóbria e, talvez por isso mesmo, bem mais sadia.

Reflexões a parte, o fato é que sempre me lembro do Amyr nos momentos que precedem grandes viagens. Para ser mais exato, sempre me vem à mente um trecho do seu livro "Mar sem fim". Antes de entrar no seu barco e partir para a sua circunavegação ao redor da Antártica, ele escreveu que, de certa forma, sentia-se como se já tivesse partido ("de certo modo eu já havia partido").

É um pouco como estou me sinto já há alguns dias. Parte de mim já está nos EUA, em Raleigh, pegando o ônibus da Universidade, fazendo reuniões com meus novos colegas de trabalho (e tentando decifrar o que eles estão querendo dizer), procurando itens básicos para a nossa nova casinha e tantas coisas mais.

Os principais elos que ainda me ligam a São Paulo são as malas, as pessoas queridas e os filhotes felinos. Com a cabeça em Raleigh, me lembro que me esqueci do canivete para cortar um pedaço de barbante durante um trabalho de campo - ótimo: volto para São Paulo, abro o armário e coloco o canivete dentro da mala. Ao mesmo tempo, enquanto a cabeça viaja na maionese de um delicioso hambúrguer genuinamente americano, um amigo liga ou um gato avisa: miau, miau, miau - papai, olha eu aqui! Então me lembro que ainda estou em Sampa e aproveito para ainda rever uma pessoa querida e fazer mais um cafuné nos felinos (um dos últimos dentro dos próximos seis meses). Aliás, é o que eu vou fazer neste exato momento: me agarrar à bola de pelo mais próxima e ouvir aquele delicioso ronronar - aí, que saudades que já dá!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Preparando as malas

Bom, neste exato momento, falta exatamente uma semana para deixarmos nosso querido lar brasileiro, nossos 3 filhos felinos, parentes e amigos queridos e partir para uma terra até então desconhecida, conhecida como Carolina do Norte, no centro-leste dos Estados Unidos. Contrariando minha habilidade/mania de fazer as coisas no último minuto, comecei a dar um jeito nas malas hoje mesmo e já começo a ver que não vai ser fácil pegar o caminho do aeroporto:

Dois dos meus filhos felinos planejando um jeito de irem na bagagem
Fico pensando que, se eu pudesse, levaria todo o meu mundo nessa mala. Meus gatos, minhas pessoas queridas, a Avenida Paulista, o inverno e todas as coisas que sei que sentirei falta, mesmo sabendo que será só por 6 meses. Queria levar tudo isso comigo, pra ter certeza de que estaríamos vivendo as mesmas aventuras, vendo as mesmas maravilhas e xingando juntos quando desse merda mas, como não dá, aqui estou eu, criando esse blog pra tentar diminuir um pouco a distância, a saudade e o medo daquilo que encontrarei na volta...

Espero que, quando eu chegar nos EUA, eu perceba que, apesar da distância, ainda tenho minhas pessoas favoritas por perto, compartilhando essa experiência comigo e mandando notícias da terra que estou abandonando temporariamente. Espero também que, se for pro avião cair, que caia na volta, que eu tenho muita coisa pra aproveitar enquanto estiver ausente!

Enfim, tentarei manter um "diário de bordo" atualizado por aqui e espero que todos gostem e que seja útil, mas agora tenho que cuidar do meu "excesso de bagagem felino" enquanto posso!! :D