segunda-feira, 23 de julho de 2012

Perdidos em Washington: Segundo e terceiro dia

Tudo bem que já voltamos de Washington faz tempo e esse post está mais do que elegantemente atrasado, mas o que importa é a intenção e, neste caso, a idéia é contar como foi o resto da viagem.
Como amanhã estamos de partida pra NY e eu ainda não arrumei as malas (e estou vendo o Raw Super Show), esse vai ser um relato bem breve MESMO. So let's go:

Segundo dia: Passamos a maior parte do tempo no Museu do Crime. É um dos poucos museus pagos em Washington, mas vale cada centavo pra quem é uma CSI wannabe como eu. Também tentamos ir no Capitólio, mas estava fechado e a gente acabou tirando foto só do lado de fora. No fim, achamos um guarda nascido em Santos por lá, que falou que a gente podia ir jantar na Union Station. A gente resolveu seguir a sugestão do guarda depois de dar um pulo no Smithsonian Museum of Natural History e num festival que estava rolando logo em frente ao museu (e ao USDA, que me traz recordações do mestrado). Depois da janta na Union Station, voltamos pro albergue e eu tive que aguentar mais uma noite de sono intermitente, por causa de uma menina que estava conversando de madrugada com esse outro cara bagunceiro do quarto. Albergues são legais, mas gostaria que meu sono fosse tão pesado quanto costumava ser antes de eu ter 3 gatos. :(

Terceiro dia: Com "sangue nos zóio" e o diabo no corpo, eu e o Caio resolvemos fazer tudo o que a gente não foi capaz de fazer nos outros dias. Fomos pro Capitol Hill e entramos no Capitólio para uma excursão. Vimos o marco-zero da cidade, a cúpula do capitólio e outras cositas mas. Depois, resolvemos ver uma sessão do Senado (estavam falando sobre o Obama-care, uma espécie se seguro-saúde público) e depois fomos na Biblioteca do Congresso. Sinceramente, se existe um paraíso nessa terra, certamente esse paraíso (para mim) é uma biblioteca com acesso restrito, tipo a do Congresso. Se eu não tivesse que comer (e consequentemente trabalhar), eu certamente me enfiaria numa biblioteca como aquela e passaria o resto da minha vida lendo todos os clássicos e raridades escondidos nas prateleiras. Mas como a vida é curta, lá fomos nós tentar cobrir o resto da cidade. Depois disso, a gente foi pro Air and Space Museum do Smithsonian. Comemos no McDonalds e fomos lá, tentar achar o Santos Dumont no meio de tantas conquistas estado-unidenses. Lembrei do meu irmão Guigo, que certamente aproveitaria muito mais o passeio do que eu ali. Vários aviões e espaçonaves que ele iria gostar. Eu sinceramente não fui capaz de apreciar o museu, ainda mais com o tanto de crianças perdidas que estavam lá, então minha próxima parada foi no National Art Gallery, que estava pra fechar. Infelizmente a única coisa que eu e o Caio vimos foi uma coleção de esculturas, principalmente do Monet (que eu já tinha visto em Paris). Daí o Museu fechou e a gente acabou indo na Portrait Art Gallery (também do Smithsonian). 

E depois foi só ir jantar e curtir o fim do nosso último dia. Next morning, Raleigh again!
Fotos no facebook. Tenho malas a arrumar.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Perdidos em Washington - Primeiro dia


Washington Monument

Enjoados com a vida pacata de Raleigh e para o deleite de amigos e familiares que ficaram no Brasil e que sempre perguntam quantas viagens a gente já fez desde que pisamos em solo estadunidense, aproveitamos que o Caio tem uns dias de férias para tirar durante nossa estadia aqui e resolvemos conhecer o centro do mundo contemporâneo (aka Washington, DC). Chegamos aqui ontem (dia 26/06) e ficaremos três dias para uma série de reuniões com chefes de estado e coletivas de imprensa, porque como todos sabem, somos pessoas muito importantes e o Obama precisa da nossa assessoria...

...Ok, na verdade o que vamos fazer é andar pra caramba e tentar conhecer o máximo de museus e monumentos possíveis e, quem sabe, comprar algumas lembrancinhas.

Ah metrô, que saudade de você!
E ontem o dia já começou sem misericórdia no quesito “andar bastante”. Saímos do aeroporto de Raleigh às 8:35 e chegamos em Baltimore umas 9:50. De lá, pegamos um ônibus até o metrô e chegamos ao albergue em que vamos ficar pelos próximos 3 dias pouco antes do meio dia. Depois disso, foi só almoçar e caminhar loucamente pela cidade. Passamos em frente à Casa Branca e ao Washington Monument e de lá fomos conhecer o Lincoln Memorial, Korean War Memorial, Martin Luther King Memorial (muito legal), Franklin D. Roosevelt Memorial (muito legal MESMO) e Jefferson Memorial. Tem memorial a dar com o pau nessa cidade!!!

Já na volta a gente descobriu que vai ter um festival perto do Smithsonian e passamos na frente de um monte de prédios do governo e alguns outros museus (Museu do Holocausto e Museu de História Americana), parando pra tomar um frozen yogurt e avaliar os danos da caminhada de verão sem protetor solar (tô quase um pimentão).

Casa Branca (ou parte dela). Não queria ter que cortar a grama desse jardim...

Quilometragem total do passeio: uns 8 km.

Balanço do dia: Pude matar a saudade do metrô, do trânsito, das pombas, das pessoas estressadas e dos edifícios com mais de 3 andares (ah cidade grande, quanta falta você me faz!). Também tô com um bronzeado bizarro, mas até o momento, nenhuma bolha surgiu no meu pé e finalmente descobri como é ficar num albergue, então acho que o dia até que foi bastante bom.

Creepy Lincoln!
Reflexão do dia: Acho que até hoje nunca vi uma obra tão antropocêntrica quanto o Lincoln Memorial. Logo pensei que estava em algum templo Greco-Romano só que, ao invés de Zeus, Atena ou Ares sobre o trono de mármore, lá estava Abraham Lincoln, olhando em direção ao capitólio e cercado de memoriais de vítimas de guerra, como se o presidente (no caso representado pelo Abe) fosse a divindade mais importante deste país, o deus da justiça que o governo deve seguir e o deus da guerra por quem o povo deve se sacrificar. Por alguma razão, achei a situação toda meio hipócrita, considerando que este país foi fundado por cristãos conservadores que acharam, num determinado momento, que só Deus poderia governar a América e que, portanto, eles não mais se submeteriam à metrópole britânica.

Korean War Memorial
Enfim,  esse momento foi meio deprimente, ainda mais depois de pensar nas guerras que os EUA lutaram e ainda lutam, mesmo sem ter uma necessidade real a não ser interesses econômicos (alguém aí lembra do Iraque). No fim, esses soldados mortos e lembrados em memoriais (e os tantos outros esquecidos em valas comuns) deram a vida por acreditar que estavam lutando pelo seu país e pela democracia e, nessa hora, eu penso que talvez eles não seriam capazes de arriscar a própria vida se soubessem que  foi tudo pra defender os interesses de uma liderança gananciosa. E mesmo que tivesse uma causa maior, em última instância não existe memorial bonito o bastante pra repor uma vida perdida, quanto mais milhares delas.



Martin Luther King Memorial: Um alívio!
Ainda bem que andando mais um pouco a gente achou o Martin Luther King e o Franklin D. Roosevelt Memorial que, apesar de também homenagearem homens, deixam à mostra algumas mensagens importantes de repúdio à guerra e de respeito e justiça para todos os seres humanos. Gostaria que fossem essas as ideias a permanecer na memória das pessoas mas, como não posso me responsabilizar por todos, são essas as ideias a lembrança que eu guardarei desse dia...

domingo, 17 de junho de 2012

Novos projetos

É nosso terceiro mês em território norte-americano e novos projetos começaram no meu trabalho por aqui. Um deles não é exatamente um novo trabalho, mas é a etapa final do trabalho da Gina, uma das alunas de mestrado do Depto. de Ciências do Solo. Temos visitado a construção de uma nova rodovia para localizar um local adequado para a fase final da pesquisa do mestrado dela que, entre outras coisas, envolve a escolha da grama certa para cada um dos solos que compõe o terreno por onde passa a rodovia (foto 1).

Foto 1: Visitas à rodovia em construção em busca da área perfeita para os próximos experimentos.
Estamos trabalhando em um outro trabalho que também envolve a construção de uma rodovia. Mas, diferente das pesquisas da Gina, neste projeto o objetivo é ver o desempenho de um tipo de polímero quando aplicado em áreas permanecerá exposto por um intervalo de tempo relativamente longo (foto 2).

Foto 2: Scott e Virginia preparam o local onde vem sendo analisado o desempenho de um polímero utilizado no combate à erosão e à poluição da água.
 Além desses trabalhos em rodovias, demos início a algumas pesquisas na base experimental do Depto. Lá construimos dois canais de acrílico para fazermos alguns experimentos. Um deles envolve a análise do desempenho de diferentes tipos de manta em relação à remoção de sedimentos em suspensão na água (foto 3). O outro será usado para desenvolver um amostrador de água que seja capaz de coletar amostras de água de chuva que representem a realidade da melhor forma possível.

Foto 3: Jamie coletando amostras para analisar a qualidade da água após o "tratamento" com uma manta.
Bom, por hora é isso. Mais detalhes e novos projetos virão nos próximos posts. Até lá!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O que fazer em Raleigh quando você não tem nada de útil pra fazer (parte 1)

Acredito que algumas pessoas saibam que uma das razões que me trouxe até Raleigh foi a minha insatisfação com a nutrição e minha vontade de mudar de carreira e seguir um caminho mais próximo daquele que eu deveria ter seguido quando saí do colegial pensando em estudar jornalismo. A idéia era chegar aqui e treinar meu inglês, perder um pouco do meu sotaque e voltar para o Brasil com sangue nos zóio em busca do CPE (que eu sempre quis prestar mas nunca tive coragem da gastar dinheiro com ele) e de uma possível carreira que envolva idiomas (traduzir o próximo livro da saga de "A Song of Ice and Fire" ou fazer legendas para "Criminal Minds" seria perfeito, mas considerando a minha atual situação, tô topando até traduzir bula de remédio). Com isso em mente, lá fui eu pesquisar o que eu poderia fazer por aqui para me ajudar com esse extreme makeover de carreira.

Ainda no Brasil, descobri que tinha duas alternativas. A primeira era fazer um daqueles cursos de imersão de um mês e que gastar todas as minhas economias. A segunda era aproveitar bem os meus recursos (e os da NCSU) e estudar por conta própria. Como eu tenho uma queda pelo "faça você mesmo" e já tinha planos para a minha poupança, lá fui eu descobrir o que eu poderia fazer aqui em Raleigh para aproveitar meu tempo e melhorar meu vocabulário (e meu sotaque). Com uma ajudinha do OIS (escritório de serviços internacionais da NCSU) e xeretando algumas oportunidades pela cidade, comecei a participar das seguintes atividades:


Cupcakes "decorados" durante uma reunião do IMOM...
IMOM: Sigla para International Moms or Mates, esse é um grupo de esposas de estudantes ou pesquisadores estrangeiros da NCSU. As reuniões acontecem todas as quartas, das 14 às 16 horas e crianças são bem-vindas. A cada 15 dias tem aula de culinária e o grupo é bem bacana, apesar da assustadora maioria de moms (eu devo ser a única participante que não tem e nem quer ter filhos ali). Esse foi o primeiro grupo que conheci na NCSU e, apesar das reuniões diminuirem durante as férias de verão (agora só vai ter um encontro em julho e depois só em agosto ou setembro), valeu a pena participar e perceber que eu não sou a única estrangeira com sotaque por aqui...

ECC: Esse foi o grupo que mais me interessou quando vi as opções oferecidas pelo OIS e a sigla significa English Conversation Club. Como uma das minhas metas é falar o máximo de inglês possível, nada melhor do que participar de um grupo de conversação entre estudantes estrangeiros e voluntários nativos. As reuniões são todas as terças e quintas (na parte mais distante do campus) e também às sextas num prédio aqui perto. Semana passada eu arrastei o Caio para uma das reuniões e acho que ele gostou de saber que tem gente com mais dificuldade do que ele na hora de perder a timidez e falar inglês. Outra coisa boa desse grupo é que os voluntários nativos sempre tem alguma dica legal de coisas para fazer na cidade e sempre podem dar umas dicas para ajudar na adaptação dos visitantes.

Cameron Village Public Library, onde tem vários bookclubs
Evening Book Club: Isso não tem nada a ver com a universidade, mas é bem perto de onde estamos morando e é outra atividade que sempre quis participar e, no Brasil, eu nem tinha idéia se era possível. Esse clube do livro se reune toda segunda terça-feira do mês, as 18:30, na Cameron Village Regional Library e discute livros de todo tipo, a maioria deles de ficção. A biblioteca tem outros clubes do livro, inclusive um da Jane Austen que eu também pensei em participar mas acabei desistindo, já que li quase todos os livros dela e estou precisando de coisas novas.

Fora esses grupos, também têm outras coisas que descobrimos por aqui e que serão assuntos para posts futuros. Sim, novos posts virão. Não, não sei se eles vão demorar tanto quanto esse demorou...

segunda-feira, 21 de maio de 2012

WWE em Raleigh: Uma noite de luta-livre

Quem me conheceu já "velha" certamente não sabe disso mas, quando eu tinha uns 11 ou 12 anos de idade, meu passatempo favorito era assistir aquele combo de desenhos japoneses na extinta Rede Manchete, seguidos por luta-livre. Não lembro quando começou essa tradição vespertina, mas lembro que foi meu pai que me viciou, tanto em Cavaleiros do Zodíaco quando em Super-Catch. No começo eu ficava bastante preocupada, porque parecia impossível alguém sobreviver a tantas voadoras, socos e pontapés, mas já que meu pai disse que era tudo de mentira (e ninguém parecia se machucar muito no fim das contas), eu desisti da misericórdia e resolvi aproveitar aqueles breves momentos de violência fake e grandalhões usando collant.

Daí a Manchete faliu, super-catch sumiu e ficou cada vez mais difícil de ver luta-livre. Depois eu descobri que, as vezes, o canal FX passava algumas lutas da WWE (World Wrestling Entertainment), mas nunca consegui descobrir o dia e o horário para poder acompanhar e, por um bom tempo, me perguntei se ainda existia luta-livre e se alguém ainda assistia.

Eu e Caio em algum lugar da arquibancada da PNC Arena
Qual foi a minha surpresa ao descobrir que aqui nos EUA até que é bem fácil achar luta-livre na TV e, não só isso, mas o negócio todo é um mega-show, com vários eventos especiais disponíveis em pay per view e com uma porção de fãs espalhados pelo país. Mas a melhor parte mesmo foi descobrir que um desses eventos especiais seria aqui em Raleigh e que ainda estavam vendendo ingressos! O Caio (empolgado depois de ver um dos lutadores ajudando a Make a Wish Foundation) decidiu comprar os ingressos naquele dia mesmo e, neste domingo (20/05), lá fomos nós para uma noite de muita luzes, latex e pancadaria no WWE Over The Limit.

Não dá pra descrever fielmente o que acontece ao vivo num evento de luta-livre. Eu tentei tirar fotos para ilustrar a situação, mas sou uma péssima fotógrafa e preferi assistir ao show sem me perder em ângulos e zoom. E que show que foi! Nem algumas das maiores bandas de rock conseguem criar palcos tão iluminados ou fazer entradas tão triunfais ou ainda usar tantos efeitos pirotécnicos quanto o pessoal da WWE (superstars e divas). Sério mesmo, U2 got nothing on those guys no que diz respeito a fazer um mega-show. O público sabia todas as frases de efeito dos lutadores e era impossível não gritar uma delas ao ver aqueles caras gigantes voando pra fora do ringue ou se arremessando em direção ao oponente em manobras aéreas que quase desafiam as leis da física.


Duas coisas logo me chamaram a atenção quando as lutas começaram. A primeira é que, apesar do consenso de que os caras lutam de mentirinha (e de fato os pontapés, socos e cadeiradas não pareciam ser "pra valer") o barulho do ringue denunciava que os tombos que os lutadores levavam eram bem reais e, no fim de uma sessão de voadoras, quedas e arremessos, os caras devem sair bem doloridos dali SIM. A outra coisa é que, pela velocidade, elasticidade e força que esses caras tem, fake ou não, esse é um esporte bastante intenso e DEFINITIVAMENTE não é pra qualquer um que se dispõe a ensaiar uma briga de rua (ver um cara mega-musculoso abrir espacate pra fugir da voadora de outro brutamontes tá longe de ser coisa fácil, na minha humilde opinião).

Agora vocês devem estar perguntando "tá, mas o que teve de luta que foi tão legal assim?" e eu só posso dizer que é mais fácil entrar no youtube ou no site do evento e ver alguns vídeos, que vai ser mais divertido do que ler minha descrição. Todas as lutas foram boas, menos a última, que era justo a que eu mais queria ver, entre o John Cena (o cara com os maiores braços EVER) e o "Gerente Geral" John Laurenitis (o cara mais escroto da WWE). 

John Cena (pontinho verde) e John Laurenitis (pontinho vermelho) no começo do que ERA pra ser a melhor luta da noite...
Era pra ser a típica luta-novela-mexicana entre o Superstar Bonzinho e o Gerente Malvado. Era só o John Cena fazer a alegria da galera e ganhar a luta que o Laurenitis seria oficialmente demitido da WWE, trazendo paz e alegria aos lutadores de boa vontade. Depois de algumas cadeiradas, chaves de braço, lixeiradas e extintorzadas tudo parecia correr bem para o John Cena e 99% do público presente (inclusive  eu). Foi aí que o Laurenitis fugiu e o Big Show apareceu carregando o dito cujo pelo pescoço, com a maior cara de quem queria vingança (afinal o Laurenitis foi responsável por humilhá-lo e demití-lo no último Raw). No entanto, o sonho de ver John Cena e Big Show sacaneando o Laurenitis em conjunto durou pouco e, no lugar de ajudar a socar o Laurenitis, o Big Show deu um direto na cara do John Cena e entregou a vitória pro gerente do mal. E foi assim que eu e 99% dos espectadores saímos do Over the Limit com a maior sensação de incredulidade que é possível ter depois de tantas emoções...

John Cena (sem camisa), Laurenitis (derrubado) e Big Show (de camisa creme e calça preta), segundos antes da maior "pura falta de sacanagem" do WWE Over the Limit...

É claro que o John Cena não ia ganhar e é claro que o Big Show agora será o vira-casaca da WWE. E é claro que isso deve ter sido muito bem ensaiado antes do evento e eu deveria saber de tudo isso porque é isso que eles sempre fazem. Mas o fato é que ali, no meio das luzes, ouvindo dos gritos de fãs e os pulos do ringue, a gente fica com vontade de acreditar que o cara bonzinho vai ganhar sempre. Lá, ao vivo, a gente volta a ter a esperança de que nossos heróis são imbatíveis mesmo quando apanham e é muito bom pensar nisso, porque lá, naquele momento, eu era de novo aquela pirralha vendo TV Manchete no final da tarde e isso foi o melhor da noite!

domingo, 20 de maio de 2012

Parties, meals & pic-nics

Desde nossa chegada em Raleigh, todos têm sido muito receptívos e acolhedores. Logo no meu 1º dia no Depto. de Ciências do Solo, houve uma mobilização enorme para nos ajudar a encontrar nossa futura casa e também itens básicos como talheres, pratos e copos. À medida que as coisas foram se ajustando (e isso ocorreu com uma rapidez que nos impressionou bastante), fomos gentilmente convidados para alguns jantares, pic-nics e festas.
Foto 1: Stephanie concentrada na tarefa de tirar uma das peçinhas sem derrubar a estrutura.

Um desses primeiros eventos, foi a festa de aniversário do Scott. A festa teve como tema os anos 80 e, por isso, o Scott e a sua esposa Stephanie estavam vestidos a caráter: terno com ombreira, cores vibrantes e muitos acessórios de plástico. Além disso, o Scott e a Stephanie levaram para a festa alguns brinquedos e brincadeiras que marcaram a infância deles, como o jogo de equilíbrio com peçinhas de madeira (foto 1) e também a pinhata, uma popular brincadeira em que o objetivo é destruir o alvo suspenso no ar e recheado de doces por dentro, mas só depois que a pessoa que for tentar liberar os doces estiver vendada e um pouco zonza por dar algumas voltas em torno de si mesmo (foto 2).
Foto 2: Ju se prepara para a pinhata enquanto Scott segura o alvo cheio de doces.
Depois dessa festa, foi a vez da Gina convidar a Ju, eu e a Virginia para um jantar na sua casa. Foi um ótimo momento para, além de experimentarmos um delicioso churrasco de frutos-do-mar, conhecermos o Robert, marido da Gina, e o Rufos, o cão de estimação deles. Para preparar o jantar, a Gina e o Robert (foto 3) compraram camarão e tilapia em um mercado asiático em Raleigh, onde dá para encontrar alguns tipos de frutos-do-mar ainda vivos. O Robert preparou um churrasco de espetinhos de camarão, tilapia e legumes que, ao final da janta, não havia nenhuma sobrinha para contar história!
Foto 3: Gina e Robert preparam o jantar que teve frutos-do-mar como prato principal.
Alguns dias depois, o Scott e a Stephanie nos convidaram para jantarmos na casa deles. Para a janta, o Scott preparou uma deliciosa carne de porco, um dos pratos típicos da Carolina do Norte. O porco foi preparado em uma panela que cozinhou a carne bem lentamente, por aproximadamente oito horas. Além disso, o Scott nos serviu uma cerveja feita em casa e que, de tão deliciosa, eu jamais imaginaria que tivesse sido preparada por ele mesmo.
Depois desses dois jantares, foi a vez do "hot-dog day" no Laboratório. Nesse dia, os próprios colegas do laboratório se juntam para preparar o almoço e arrecadar fundos para a festa de fim de ano do Depto.
Assim, no pátio que fica atrás do prédio da faculdade de Agronomia montamos duas mesas e também a churrasqueira portátil usada pelo prof. Rich para preparar as salsichas (foto 4). Além do hot-dog, nosso almoço também teve batata chips, refrigerante e donuts de sobremesa. Bem americano, né?
Foto 4: Prof. Rich caprichando nas salsichas do hot-dog day.
Para terminar, fomos por último a um pic-nic que a Virginia preparou na casa dela para o pessoal da pós-graduação em Ciências do Solo. Além de arroz, feijão, carne e batata assada, a Gina levou uma deliciosa salada preparada pelo Robert e a Erica trouxe suculentos morangos cobertos com casca de chocolate. O pic-nic foi feito no quintal atrás da casa da Virginia, onde tivemos uma ótima tarde e também pudemos conhecer outros estudantes da pós ligados a outros laboratórios.
Como não podia deixar de ser, a Ju aproveitou os momentos finais do nosso pic-nic para brincar um pouquinho com a gatinha que mora com a Virginia. Toda preta com um chumaço branco bem pequeno no peito (foto 5), essa gatinha nos deu mais saudades ainda dos nossos três filhotes que, segundo os relatos dos vovós Cláudia e Miguel, têm aprontando um montão e também andam cheios de chamego com o avós.
Foto 5: A gatinha na casa da Virginia apertou as saudades dos nossos felinos.
Por hora, é isso. Deliciosas refeições (às vezes um pouco diferentes do que estamos acostumados) com ótimas companhias, momentos muito bons e divertidos durante nossa imersão em Raleigh!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

13 de maio: mães, Fátima e escravidão

Eis que passamos mais uma data importante em Raleigh. Depois da páscoa, foi a vez do 13 de maio que, em único dia, reuniu três datas importantes para nós brasileiros: dia das mães (também celebrado nos EUA), dia de Nossa Senhora de Fátima e dia da abolição da escravatura no Brasil.
Quanto ao dia das mães, não teve jeito: o telefone foi a única forma de diminuir ao menos um pouquinho a distância das nossas mamães queridas. Por outro lado, as saudades que a mamãe Ju (foto 1) sente dos nossos três felinos apertou ainda mais, ainda mais quando minha mãe nos contou por telefone sobre as últimas que eles, especialmente o caçula, andam aprontando.
Foto 1: Apesar de curtir um chamego com um dos gatos do Scott, a mamãe Ju sentiu a saudade dos nossos três felinos apertar neste dia das mães.
Mesmo com os corações apertados, aproveitamos o domingo para ir à missa. Aqui tem igreja cristã para todos os gostos. A Ju escolheu ir à missa na simpática e engajada igreja que visitamos na semana passada, a episcopal Church of Good Shepherd.
Foto 2: Ju na Church of Good Shepherd - boas vindas sem exceções.

A missa na igreja episcopal de Raleigh é, de certa forma, bastante parecida com o que costumamos ver na igreja católica. No entanto, uma das maiores diferenças em relação à igreja de Roma reside, por exemplo, na sua postura em relação à orientação sexual dos fiéis. Em Raleigh, a igreja episcopal dá boas vindas a todas e todos (foto 2), independente da orientação sexual de cada um, coisa que na igreja católica é ainda hoje tema de muita polêmica.
Apesar de ser a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo e discordar de postura da igreja católica em relação a esse e diversos outros assuntos, escolhi a Sacred Heart Cathedral para a missa deste domingo (foto 3).
Foto 3: Em um dos vitrais da Sacred Heart Cathedral, Jesus aprende o ofício de carpinteiro observado pelos pais.
Ainda que estivesse cheia (eu e vários fiéis assistimos a missa em pé), a catedral de Raleigh é relativamente pequena (a igreja episcopal, em comparação, tem espaço para acolher quase o triplo de pessoas durante uma missa), o que reflete a pouca expressão que o catolicismo tem nos EUA. Existem muitos católicos de famílias que estão na Carolina do Norte há diversas gerações, mas a impressão é de que há uma porção expressiva de fiéis imigrantes, principalmente mexicanos. De fato, a influência mexicana é bastante forte e, além de algumas missas serem celebradas em espanhol, há também uma imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da Cidade do México. Apesar de ser dia de Nossa Senhora de Fátima, não houve nenhuma menção à Virgem Maria que foi vista em 13 de maio de 1917 por três crianças em Portugal - reflexo da pouca influência que Portugal tem na cultura norte-americana.
Terminadas as missas, nos dirigimos para o North Carolina Museum of History (foto 4), onde entramos em contato com um pouco da história da Carolina do Norte e também dos EUA.
Foto 4: Ju imersa no túnel do tempo do North Carolina Museum of History.
Sendo dia da abolição da escravatura no Brasil, foi interessante ver um pouco da história da escravidão daqui. Como no Brasil, a chegada dos negros nos EUA foi motivada essencialmente pelo trabalho escravo. Mesmo após a abolição, os afro-americanos continuaram a sofrer abusos e segregação de diversos tipos, parecido com o que ocorreu no Brasil. Isso me fez pensar que, independente do lugar, a escravidão foi algo estupidamente violento em todos os aspectos possíveis - físico, emocional, social, econômico, cultural e por aí vai. É bom pensar que, embora as consequências negativas de todo esse processo ainda estão longe de serem apagadas, os EUA elegeram seu primeiro presidente negro. Me parece um passo absurdamente gigante em um continente que ainda tem (temos) muito o que avançar em relação a esse tema.
E por falar nisso, o clima para as eleições nos EUA está cada vez mais quente por aqui. E pelo visto o bicho vai pegar! Mas isso fica para um próximo post! Fui!!!