quarta-feira, 27 de junho de 2012

Perdidos em Washington - Primeiro dia


Washington Monument

Enjoados com a vida pacata de Raleigh e para o deleite de amigos e familiares que ficaram no Brasil e que sempre perguntam quantas viagens a gente já fez desde que pisamos em solo estadunidense, aproveitamos que o Caio tem uns dias de férias para tirar durante nossa estadia aqui e resolvemos conhecer o centro do mundo contemporâneo (aka Washington, DC). Chegamos aqui ontem (dia 26/06) e ficaremos três dias para uma série de reuniões com chefes de estado e coletivas de imprensa, porque como todos sabem, somos pessoas muito importantes e o Obama precisa da nossa assessoria...

...Ok, na verdade o que vamos fazer é andar pra caramba e tentar conhecer o máximo de museus e monumentos possíveis e, quem sabe, comprar algumas lembrancinhas.

Ah metrô, que saudade de você!
E ontem o dia já começou sem misericórdia no quesito “andar bastante”. Saímos do aeroporto de Raleigh às 8:35 e chegamos em Baltimore umas 9:50. De lá, pegamos um ônibus até o metrô e chegamos ao albergue em que vamos ficar pelos próximos 3 dias pouco antes do meio dia. Depois disso, foi só almoçar e caminhar loucamente pela cidade. Passamos em frente à Casa Branca e ao Washington Monument e de lá fomos conhecer o Lincoln Memorial, Korean War Memorial, Martin Luther King Memorial (muito legal), Franklin D. Roosevelt Memorial (muito legal MESMO) e Jefferson Memorial. Tem memorial a dar com o pau nessa cidade!!!

Já na volta a gente descobriu que vai ter um festival perto do Smithsonian e passamos na frente de um monte de prédios do governo e alguns outros museus (Museu do Holocausto e Museu de História Americana), parando pra tomar um frozen yogurt e avaliar os danos da caminhada de verão sem protetor solar (tô quase um pimentão).

Casa Branca (ou parte dela). Não queria ter que cortar a grama desse jardim...

Quilometragem total do passeio: uns 8 km.

Balanço do dia: Pude matar a saudade do metrô, do trânsito, das pombas, das pessoas estressadas e dos edifícios com mais de 3 andares (ah cidade grande, quanta falta você me faz!). Também tô com um bronzeado bizarro, mas até o momento, nenhuma bolha surgiu no meu pé e finalmente descobri como é ficar num albergue, então acho que o dia até que foi bastante bom.

Creepy Lincoln!
Reflexão do dia: Acho que até hoje nunca vi uma obra tão antropocêntrica quanto o Lincoln Memorial. Logo pensei que estava em algum templo Greco-Romano só que, ao invés de Zeus, Atena ou Ares sobre o trono de mármore, lá estava Abraham Lincoln, olhando em direção ao capitólio e cercado de memoriais de vítimas de guerra, como se o presidente (no caso representado pelo Abe) fosse a divindade mais importante deste país, o deus da justiça que o governo deve seguir e o deus da guerra por quem o povo deve se sacrificar. Por alguma razão, achei a situação toda meio hipócrita, considerando que este país foi fundado por cristãos conservadores que acharam, num determinado momento, que só Deus poderia governar a América e que, portanto, eles não mais se submeteriam à metrópole britânica.

Korean War Memorial
Enfim,  esse momento foi meio deprimente, ainda mais depois de pensar nas guerras que os EUA lutaram e ainda lutam, mesmo sem ter uma necessidade real a não ser interesses econômicos (alguém aí lembra do Iraque). No fim, esses soldados mortos e lembrados em memoriais (e os tantos outros esquecidos em valas comuns) deram a vida por acreditar que estavam lutando pelo seu país e pela democracia e, nessa hora, eu penso que talvez eles não seriam capazes de arriscar a própria vida se soubessem que  foi tudo pra defender os interesses de uma liderança gananciosa. E mesmo que tivesse uma causa maior, em última instância não existe memorial bonito o bastante pra repor uma vida perdida, quanto mais milhares delas.



Martin Luther King Memorial: Um alívio!
Ainda bem que andando mais um pouco a gente achou o Martin Luther King e o Franklin D. Roosevelt Memorial que, apesar de também homenagearem homens, deixam à mostra algumas mensagens importantes de repúdio à guerra e de respeito e justiça para todos os seres humanos. Gostaria que fossem essas as ideias a permanecer na memória das pessoas mas, como não posso me responsabilizar por todos, são essas as ideias a lembrança que eu guardarei desse dia...

domingo, 17 de junho de 2012

Novos projetos

É nosso terceiro mês em território norte-americano e novos projetos começaram no meu trabalho por aqui. Um deles não é exatamente um novo trabalho, mas é a etapa final do trabalho da Gina, uma das alunas de mestrado do Depto. de Ciências do Solo. Temos visitado a construção de uma nova rodovia para localizar um local adequado para a fase final da pesquisa do mestrado dela que, entre outras coisas, envolve a escolha da grama certa para cada um dos solos que compõe o terreno por onde passa a rodovia (foto 1).

Foto 1: Visitas à rodovia em construção em busca da área perfeita para os próximos experimentos.
Estamos trabalhando em um outro trabalho que também envolve a construção de uma rodovia. Mas, diferente das pesquisas da Gina, neste projeto o objetivo é ver o desempenho de um tipo de polímero quando aplicado em áreas permanecerá exposto por um intervalo de tempo relativamente longo (foto 2).

Foto 2: Scott e Virginia preparam o local onde vem sendo analisado o desempenho de um polímero utilizado no combate à erosão e à poluição da água.
 Além desses trabalhos em rodovias, demos início a algumas pesquisas na base experimental do Depto. Lá construimos dois canais de acrílico para fazermos alguns experimentos. Um deles envolve a análise do desempenho de diferentes tipos de manta em relação à remoção de sedimentos em suspensão na água (foto 3). O outro será usado para desenvolver um amostrador de água que seja capaz de coletar amostras de água de chuva que representem a realidade da melhor forma possível.

Foto 3: Jamie coletando amostras para analisar a qualidade da água após o "tratamento" com uma manta.
Bom, por hora é isso. Mais detalhes e novos projetos virão nos próximos posts. Até lá!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O que fazer em Raleigh quando você não tem nada de útil pra fazer (parte 1)

Acredito que algumas pessoas saibam que uma das razões que me trouxe até Raleigh foi a minha insatisfação com a nutrição e minha vontade de mudar de carreira e seguir um caminho mais próximo daquele que eu deveria ter seguido quando saí do colegial pensando em estudar jornalismo. A idéia era chegar aqui e treinar meu inglês, perder um pouco do meu sotaque e voltar para o Brasil com sangue nos zóio em busca do CPE (que eu sempre quis prestar mas nunca tive coragem da gastar dinheiro com ele) e de uma possível carreira que envolva idiomas (traduzir o próximo livro da saga de "A Song of Ice and Fire" ou fazer legendas para "Criminal Minds" seria perfeito, mas considerando a minha atual situação, tô topando até traduzir bula de remédio). Com isso em mente, lá fui eu pesquisar o que eu poderia fazer por aqui para me ajudar com esse extreme makeover de carreira.

Ainda no Brasil, descobri que tinha duas alternativas. A primeira era fazer um daqueles cursos de imersão de um mês e que gastar todas as minhas economias. A segunda era aproveitar bem os meus recursos (e os da NCSU) e estudar por conta própria. Como eu tenho uma queda pelo "faça você mesmo" e já tinha planos para a minha poupança, lá fui eu descobrir o que eu poderia fazer aqui em Raleigh para aproveitar meu tempo e melhorar meu vocabulário (e meu sotaque). Com uma ajudinha do OIS (escritório de serviços internacionais da NCSU) e xeretando algumas oportunidades pela cidade, comecei a participar das seguintes atividades:


Cupcakes "decorados" durante uma reunião do IMOM...
IMOM: Sigla para International Moms or Mates, esse é um grupo de esposas de estudantes ou pesquisadores estrangeiros da NCSU. As reuniões acontecem todas as quartas, das 14 às 16 horas e crianças são bem-vindas. A cada 15 dias tem aula de culinária e o grupo é bem bacana, apesar da assustadora maioria de moms (eu devo ser a única participante que não tem e nem quer ter filhos ali). Esse foi o primeiro grupo que conheci na NCSU e, apesar das reuniões diminuirem durante as férias de verão (agora só vai ter um encontro em julho e depois só em agosto ou setembro), valeu a pena participar e perceber que eu não sou a única estrangeira com sotaque por aqui...

ECC: Esse foi o grupo que mais me interessou quando vi as opções oferecidas pelo OIS e a sigla significa English Conversation Club. Como uma das minhas metas é falar o máximo de inglês possível, nada melhor do que participar de um grupo de conversação entre estudantes estrangeiros e voluntários nativos. As reuniões são todas as terças e quintas (na parte mais distante do campus) e também às sextas num prédio aqui perto. Semana passada eu arrastei o Caio para uma das reuniões e acho que ele gostou de saber que tem gente com mais dificuldade do que ele na hora de perder a timidez e falar inglês. Outra coisa boa desse grupo é que os voluntários nativos sempre tem alguma dica legal de coisas para fazer na cidade e sempre podem dar umas dicas para ajudar na adaptação dos visitantes.

Cameron Village Public Library, onde tem vários bookclubs
Evening Book Club: Isso não tem nada a ver com a universidade, mas é bem perto de onde estamos morando e é outra atividade que sempre quis participar e, no Brasil, eu nem tinha idéia se era possível. Esse clube do livro se reune toda segunda terça-feira do mês, as 18:30, na Cameron Village Regional Library e discute livros de todo tipo, a maioria deles de ficção. A biblioteca tem outros clubes do livro, inclusive um da Jane Austen que eu também pensei em participar mas acabei desistindo, já que li quase todos os livros dela e estou precisando de coisas novas.

Fora esses grupos, também têm outras coisas que descobrimos por aqui e que serão assuntos para posts futuros. Sim, novos posts virão. Não, não sei se eles vão demorar tanto quanto esse demorou...